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Medeia

Apaixonou-se desde o primeiro dia. Ele, heroico e perdido, buscando em seus olhos a direção de sua epopeia. Ela, jovem e invisível, indiferente às vontades do mundo para os papéis de seu gênero. E, embora fosse a melhor em tudo que fazia, nada além de sua função reprodutiva e social parecia importar aos seus. Numa noite, perdidos em seus destinos, se encontraram. Ela o guiou.  Ele cresceu em seus embates.  Ao seu lado, ela dominava o mundo dos homens, mas nas sombras. Ele, na luminosidade da fama, se apropriava da força magnética de suas palavras, de sua capacidade sobrenatural de abrir-lhe caminhos, mostrar-lhe a melhor rota para alcançar seus objetivos. Por anos, assim, nessa rotina de luz e sombras, realizações e apagamentos, eles navegaram na vida a dois. Mas Eros, o distribuidor de enganos, o que cega a razão dos mortais, certo dia, aportou-o, em sua maturidade, nos braços de uma jovem cujo olhar de encanto diante de sua grandeza o seduziu. Poder, juventude, promessa de n...

Isto é um adeus

  E como a gente se despede do que não acabou? Há, ainda, um amor imenso em mim, sem lugar. “A gente já foi um amor exagerado...” Eu me desfaço em cada lembrança.   Eu me desconstruo em cada memória, ainda mais presente em cada ausência: no sofá, ao chegar do trabalho; na cama, ao deitar derrotada pelo cansaço do dia; na cozinha, ao discutirmos um Foro... Dizem que o tempo cura, mas quando a saudade aperta ainda busco seu cheiro, ainda busco seus olhos, ainda busco seu sorriso, seus braços abertos pra me receber na hora de dormir. Você era o futuro, o presente, o apoio... Mas faltou lealdade, faltou sinceridade. Você lembra o começo? O reconhecimento da revolução um no outro? A idealização de um mundo melhor e de uma vida mais justa? Todo começo devia ser como o nosso: inesperado e belo. Não me reconheço nessa ausência, mas já há algum tempo não nos reconhecíamos mesmo presentes, não é? Eu entendo o fim, mas ele me machuca ainda mais estes dias... Foi de repente, a...

Para não esquecer

E quando começamos a aprender que estamos, de fato, sós? Queria me explicar... Não assim, à distância e por escrito, mas, aparentemente, esta é a única forma de comunicação que temos. Surtei. Por isso, me perdoe. A solidão faz isso com as pessoas. A culpa não foi sua e sei que isto (eu) já está ficando cansativo. “Era para ser leve”. Realmente, era para ser leve, mas esta leveza que você procura eu não tenho, não agora pelo menos. Você me perguntou há algum tempo se ELE (o meu inominável) ainda mexia comigo. Sim, mexe... Muito. Ele era porto, era amigo, era o centro do mundo que criei... Aparentemente sozinha, mas me criei ao redor dele. Abri mão de mim, do que era, do que queria ser. Agora, estou reaprendendo a existir assim. Me desculpa, não deveria ter feito de você esse bote de apoio num momento de afogamento. Avisei que era um caos... Você não acreditou. Há vários tipos de caos, entre eles, o da necessária reconstrução após uma catástrofe.  Minha catástrofe: ...

Escrevilhar para salvar a alma

Na ciranda da vida, espaços se abrem, pessoas ficam e outras se vão. É um movimento contínuo de perdas e perdas, “dentro do ser” outras mil perdas mais. Alguns espaços se abrem mais do que outros. Alguns, não muitos, até se fecham ou são preenchidos por amores que nos atacam quando menos esperávamos por eles. Outros, contudo, nunca se fecham. Por mais que o ignoremos, eles ficam lá, esperando uma distração para mostrar que ainda existem: buracos fundamentais; lacunas básicas, daqueles que originaram nossas vidas e, pelo destino de seres orgânicos e efêmeros, agora não são , não estão ... Na ciranda da vida, dançamos todos a mesma canção: tristezas, amores, festas, mortes, perdas e renascimentos. Queria, por um momento, que este girar interminável parasse: uma fotografia eterna no tempo infindável. Um momento em que, de mãos dadas, todos, estivéssemos presentes: pai, irmãos, avós, avôs, amores, filhos e netos... Todos, de mãos dadas, preenchendo todas as lacunas que o tempo, b...

De espaços e hipóteses

Algumas coisas ficaram sem respostas, por mais que minha mãe e minhas tias tentassem preencher o vazio deixado por você, ainda há histórias que eu queria ouvir, fatos que queria entender, sua visão do que passou na sua vida. São lacunas que seriam preenchidas no decorrer da minha vida, durante momentos de consolo e carinho. Momentos que raramente tive com a figura de uma avó. Tive avós, que amo e amei muito. Uma delas, em especial, foi você quem me deu. Que nos deu (sei que meus primos e meu irmão a amam tanto quanto amariam você, se estivesse aqui, ao vivo). A vida não foi justa, mas poucas vezes ela é. Talvez, se ela tivesse sido mais justa, se tivesse garantido a vocês mais tempo, nós não estaríamos aqui. Mas, frequentemente, me pergunto, em dias como o de hoje, de chuva, frio, tristezas e isolamento, o que você me contaria da sua infância. O que você me contaria sobre o meu avô (sei tão pouco). É arrogância achar que teria todas as respostas, que você as contaria para mim, ...

Minha Última Carta de Amor

  São Paulo, 06 de maio de 2024, às 2h30 de mais uma noite de insônia e dor de cotovelo.  Para você, Eis minha última carta de amor... e ela é RIDÍCULA, como todas as cartas de amor o são... E eis-me, também aqui, não pela primeira, mas pela última vez rebaixando-me aos mais risíveis sentimentos humanos para escrever uma carta de amor... Não quero, com essa introdução, dizer que o amor é risível: não é. As cartas de amor o são. Principalmente como esta, fruto da rejeição (sinto, pela experiência, que este sentimento ainda muito me há de acometer... santa terapia, me guarde e me proteja!). Mas calma, caro destinatário (se é que ainda não desistiu de ler), esta carta de amor, embora ridícula e fruto de seu desprezo por mim, não lhe será laudatória tampouco um poema jâmbico de Hipponax... Veja isto como um despir da alma... Acho justo lhe dar a oportunidade de desprezá-la tanto quanto o fizeste com o corpo. Dessa maneira, quem sabe a nudez completa do meu ser se transform...

Fim

Sinto um peso no peito, e esse peso molha meus olhos, lava meu rosto, contorce meu ser. Dor Pensar em você, hoje, aumenta o espaço entre meus braços, aumenta a cama, antes tão estreita. Hoje, estranhamento do frio no travesseiro, o seu... Também molhado... De onde vem esse rio, silencioso, tromba d'água que surgiu da ausência. (... Você devia estar aqui, entre os parênteses dos meus braços ...) Você era, nós existíamos... Fantasmas do que fomos. Hoje, só hoje, queria começar do branco completo do esquecimento.  Assim a dor não seria tão grande.

Nós, apenas lacunas e falhas.

Qual o resultado da geração saúde, filha da guerra de egos, neta das grandes guerras? Nossa juventude pseudo intelectual, falhas lacunadas e lacunas falhadas. Nossa juventude não tem mais por que lutar, não tem mais ideais, não tem mais sonhos.  Nossa realidade se mistura com o ideal burguês vendido na concessionária mais próxima; quando não, nós, os jovens, vivemos de lembranças de um passado que não é nosso, vivemos de experiências alheias, órfãos de uma ditadura contra a qual ainda lutamos.  Ídolos mortos, verdades perdidas, mentiras redescobertas...

Final do dia

"...retiro-me da batalha, pois a turba ocupou-me por demais o espírito e agora esse esvai-se em cansaços terrenos; já Hipnos, o de mortais sobrepujador, já pela porta achega-se ao meu ser..."

Epifania às 5h30

Mais um dia. Mais uma noite insone. Míseros 30 versos depois, releituras tardias de meus-eus passados e eis, que entre galináceos gritantes, cantos passarinheiros, passsos madrugadores e abrir de portões sabagantes uma epifania me encontra: "EU MATEI CHE GUEVARA!" Sim... Minha ideologia é idosa, sofre com osteoporose e cliches em bocas ignóbeis... A doce ilusão tardia... Minha ideologia é velha... será que logo... morta?

Diário de Cassandra 25/10/1967

Meu amado, Notícias de morte alcançam-me a alma. Hoje acordei com passos nebulosos, como se o Sono dos gregos tivesse calçado botas de guerrilha para me acordar, mostrando que o sonho realmente acabara. O negro dos teus olhos pra sempre cerrados, era isso o que queria dizer aquelas botas nebulosas na porta do quarto... Voltei a dormi. Não acreditei. Só podia ser mais uma brincadeira dos deuses da guerra. Impóssível!! Ainda ontem vi você entrando em nosso quarto, com aquele sorriso torto, seus cabelos desgrenhados e a barba há muito crescida. Não, meu amado. Não. Foi apenas uma brincadeira dos deuses. Ainda vives. A chama incandescente de teus belos olhos ainda sorri... Ainda, sei que ainda... Ontem mesmo, em minha cama senti teus braços frios ao redor de mim, trêmulo, trêmulos...

Diário de Cassandra 09/10/1967

Há tempos nada escrevo pensando em ti. Já te tenho tão incorporado ao meu ser, que respiro, ando, falo e sinto como se tu estivesses em mim. Pedaço de mim, pedaço de minha alma esquecida e encontrada. Amo-te, como amo. Amo tanto que sinto que quando não estou contigo não vivo. Meus dias passam como se nada houvesse em mim, porque estás dentro de mim; como se nada importasse mais do que o pequeno pedaço da minha alma que encontrei em ti e que agora vive em mim. Não, realmente nada mais importa. Isso me assusta. Amar alguém assim, amar alguém como se esse alguém fosse a extensão da sua alma, da sua vida, do seu corpo, é errado. Perco-me em teus olhos, em teus ideais, na tua vida...Antes de você, vida vazia. Com você, vida perdida em ilusões de amor e eternidade. É errado. Perco-me... Não sei mais o que sou, o que fazer de mim: pedaço de alma sem sentido e inútil. Amo-te, mas como queria me amar assim como te amo. Meu amor, minha ilusão é minha morte. Morro cada vez que me tomas no braço....

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Aos deuses com os lugares comuns das procuras inúteis!!!!!!!!!!!!! Passa dia.... passa!!!!!!

Inutilidade Vital!

- cigarros e política... cigarros, política, baixaria e bebidas. - pois não? - E classic rock! Prometes-me isso que arranco o blazé do dia paulistano de verão - maldito verão - e vou contigo aos bares da noite que nada prometem, nada curam e só devotam o que há de nulo em mim. NULO, NULO e NULO AHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHH!!!! Que tédio de vida... - Nossa! Você está tão poética. Lindo! - A inutilidade da vida humana e a desgraça sempre foram a obra prima dos desocupados 'captalista-intelectualmente' que volvem à poética de vermes. Poética dos vermes! Gostei!Subproduto da falha lacunar: Poética dos vermes, aos vermes e para os vermes. Pseudos, reuni-vos! Aos vermes declararei minha angustia paulistana de verão. - Ok! Eu, hoje, (pragmaticamente) pretendo beber cervejae ouvir música brasileira sem política, sem cigarro e sem nenhum tipo de conceitualização do ego do mundo ou do tempo. Topas? - nunca! Isso é realmente inexistente em meu mundo... - why? - Não há mundo sem polític...

O enterro de Cassandra.

Apenas um caixão, algumas flores e o silêncio. Sua carne exposta, outrora colorida por dores cotidianas, jaz branca e inerte. Sua expressão de dor e angústia continuava alí: marcada nos próprios ossos que estruturavam seu lindo e atormentado rosto. Seus olhos continuavam semicerrados, como se, no último esforço de vida, fizesse força ainda para olhar a desgraça que deixava no mundo ao partir, como se quisesse ir vendo tudo o que largava, só para ter certeza que não deixava nada de bom, nada de puro, nada saudoso, nada que a fizesse ficar, nada... Apenas um mundo de carne, de seres inúteis, de vidas vazias. Falhas, lacunas e carne. Se alguém ali chorava por ela? Não, nenhuma lágrima foi derramada por Cassandra. Nenhuma palavra foi dita.

A última vez.

A última vez que te vi, no café, anos atrás, com cigarros e um ideal partido... Eram anos de liberdade; Eram anos de igualdade; Eram anos de rebeldia. A última vez que te vi, Ali, sentado entre rebeldes domados, cabisbaixo com o sabor das desilusões, com cigarros e olhos lacrimejantes... Eram tempos de liberdade; eram tempos de igualdade; eram anos de sonhos jovens. Mas tua subversão não coube na conhecida canção de burgos palácios. Calada tua voz em rubro peito! Quebrada tua língua por capitais desejos! Eram anos de liberdade, Velada! Eram anos de igualdade, Roubada! Eram anos de sonhos mortos, De jovens de rubros peitos... A última vez que te vi, ainda falavas de Ernesto... Entre rebeldes farrapos, Entre suspiros contidos. A última vez que te vi, no café, ali! Cabisbaixo... Ainda falavas de Ernesto. Em teu peito perfurado por metálico coração, calaram-se tua rebeldia e minha paixão. Foi ali! Por Ernesto... Rubro teu peito, espelhos teus olhos sem luz. "Vem! Traze teus...

O espelho do reflexo invertido: e por fim, Theos saiu do armário! E não foi o fim do mundo...

E assim fez-se Theos!  Aclamado em momentos felizes de desesperos alheios. Veja bem, felizes aos seus ouvidos malditos pela razão seicentista.  Theos é grande em grandes desastres, é herói em cruzes sangrentas, é sangue em turbantes solares... Theos foi altares de flores, túmulo de gozos. Theos foi fruto, flor e folha. Theos é riqueza e luxúria.  Theos na rua, no pé do moleque em campo esverdeado ou de areia - esperança de um Theos maior e mais mundano.   Hoje Theos em sua multidão de seres, já não é! Hoje Theos não é, ele vive em questionamentos interiores de outros, sem vida própria. Sua voz substituída por intérpretes mudos e sua obra des-obrada por recriadores menores.   Theos não existe em si. Sua auto-análise não conclui em nada, pois não há nada a ser analisado. Sua vida é inexistente e imaterial! Seu sangue foi drenado por crentes descrentes...  E assim, sem sangue e carne, sua vida evaporava... Só em alguns escassos momentos, quando algum...

O espelho do reflexo invertido: uma página perdida de Cassandra.

" Minha história começa do nada e ao nada ela retorna. Não há formas viventes. Não há finais felizes. Não há sentimentos ou sentimentalidades: não há amor, ódio, amigos, inimigos ou outras tolices piegas... O que há então? A certeza absoluta do nada e a incerteza arrebatadora das palavras ditas. Há pontos de vistas diferentes. Há destino e partidas - vários caminhos para ir ao mesmo: Thanatos. Na minha vida não há sintagmas cristalizados lacunados, sem sentido algum, como AMor e Morte. Eles são a droga do humano, vício mal-dito alimentado por séculos por sua fraqueza. Eles são a necessitade vital do homem de fuga do verdadeiro Caos que comanda a inútil e devastadora vida humana. QUem vê nestas palavras a boca amarga de um ser biliático, vê a verdade! Minha boca está amarga pelas palavras nunca escutadas que guardam a ruína dos mortais. Poupá-los é inútil. Seu fim é único e imutável. As mesmas palavras que constróem realidades imortais, as destróem. Sou sim amarga e invejosa. Sou i...

O espelho do reflexo invertido: Jornal da Manhã - Estadão de Sophia.

JORNAL DA MANHÃ - ESTADÃO DE SOPHIA. CAOS SE DISSOLVE EM BRASÍLIA E LEVA PRESIDENTE A DECLARAR ESTADO DE SUBLIMAÇÃO NACIONAL. Sophia continuava a abundar leite de cabra em boca de cobra - macunaimando uma existência árida e verdejante em frutos monetários. O mundo ao seu redor continuava alheio às notícias de seu país interior - síndrome macabéica disseminada entre a população mundial por um espirro de Sophia. Motivo do espirro: pó de pirlimpimpim lançado em um atentado contra o prédio da realidade banal. Enquanto Sophia procurava seu anti-alérgico em sua 'Pandora-Box', seu pequeno pacote de esperança caiu e rolou terra à baixo pelo bueiro. Navegando em terras brasilis, este famigerado pacote de esperança enroscado em azulado bico de arara rasgou e seu conteúdo, em contato com ares mais quentes, sofreu uma reação fatal que resultou na formação do Caos Sublime. Por um cuidado especial dos deuses católicos-pagãos, em especial o deus Dollar Corinthiano de todos os Santos, o Caos...

Teoria do dia

Desafortunança!!!! Desafortunança!!!! desafortunança!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!1111 Infortúnios do facebook em retratos inválidos do dia-a-dia.... "vai indo, que eu não vou" - macaquices espúrias.