O enterro de Cassandra.
Apenas um caixão, algumas flores e o silêncio. Sua carne exposta, outrora colorida por dores cotidianas, jaz branca e inerte. Sua expressão de dor e angústia continuava alí: marcada nos próprios ossos que estruturavam seu lindo e atormentado rosto. Seus olhos continuavam semicerrados, como se, no último esforço de vida, fizesse força ainda para olhar a desgraça que deixava no mundo ao partir, como se quisesse ir vendo tudo o que largava, só para ter certeza que não deixava nada de bom, nada de puro, nada saudoso, nada que a fizesse ficar, nada... Apenas um mundo de carne, de seres inúteis, de vidas vazias. Falhas, lacunas e carne. Se alguém ali chorava por ela? Não, nenhuma lágrima foi derramada por Cassandra. Nenhuma palavra foi dita.