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Mostrando postagens de outubro, 2009

Medo

Tremor profundo e sufocante; desconhecida angústia; melancolia inexplicável. Não sei o que é medo, não sei o que sentir ou do que sentir. Meus medos são crises de afogado em terra seca. Quais são os meus piores pesadelos? Morte? Viver demais? Solidão? Verdade? Quais verdades? Incoerências... Paradoxos de uma realidade questionável e brutal. Pensar em medo, pra mim, é pensar em deus, pensar em uma realidade onírica de um mundo onde nos prendemos no vazio de uma grande mente, um pensamento infinito, maior que o universo, algo que pensa que existimos e pronto: 'fiat lux!' Não um deus cristão barato... Perdido em cada esquina e vendido a custo das esperanças mais caras e do que restar no bolso da miséria. Não esse. Mas um deus com um Cristo ideológico e radical; algo maior que teria criado a própria idéia de deus, de vida, morte e solidão... Seria esse o segredo do universo? Uma mente? Seriamos apenas uma criação fragilizada? Um sonho? eis o meu maior medo: viver uma existência ine...

Poética da falha lacunar

O que é a poética da falha lacunar? Uma mentira, um grande erro ou uma verdade incômoda? Os homens não têm as imagens que tentam comprar, mal sabem quem realmente são... Não passam de discursos vazios, sem base, sem maiores verdades além daquela refletida no espelho. O maior erro nosso é procurar verdades na suposta existência do amor à dois, tentar se ver no outro e alí se perder... Há muito tempo os homens se perderam nesse caminho e não sabem voltar. A desculpa dada é o egoísmo: somos egoístas demais para enxergar além dos nossos 'eus' perdidos, e fracos demais para encará-los e compreendê-los. Quão patético! É tudo tão ridículo e insignificante; é como se toda a existência não passasse de uma adolescência eterna e desgovernada - não temos controle sobre ela. Os homens precisam se organizar, soltarem-se uns dos outros, esquecerem de si próprios e se concentrarem na existência comum, nas verdades que todos os seres compartilham como seres sociais. É inaceitável o modo como os...

Chinnamasta

Nosso amor é assim, pesado, carnal, só se realiza quando sente o calor da sua boca, seu corpo dentro do meu, a seco, forte... Sentido, sentimento e coisas afins vieram depois. Primeiro o instinto, a visão, a voz, o gosto, o calor, o toque... seu corpo...Nosso amor é assim: tátil e tático. Ofereço meu corpo, pois não posso entregar o que não tenho; você me dá seus resquícios de ternura, pois já não possui um coração para me dar. Nosso amor é assim, guerrilheiro, sobrevivente, sem futilidades... estratégico... corporal...

Venéreo

No negro dos seus olhos, o enigma do meu ser, cerrado em noite tensa, me desfaz na luz incandescente que dos seus lábios fluem em rosa e vermelho sangue. Entre minhas muralhas, risos de morte, rios de delírio... no negro dos seus olhos, cerrado sentido do 'nonsense', flor esmagada entre espadas de fogo.

Crepúsculo.

Eu não te devo explicações! Não, eu realmente não te devo explicações. Neste mundo caduco, cansei de interpretar os arredores. Sinto nos ossos o peso do tempo e a desilusão dos sonhos...É só isso. Não me peça explicações... É inútil. Tão inútil quanto saber se foi a maçã de Isaac ou o sibilo do Éden que perdeu a humanidade. NÃO! Não te devo explicações! Apenas não quero mais: nosso amor ruiu em meio a realidade vazia da morta aurora. Olha ao redor... Como pensar em nós? A esperança está perdida entre ruínas abandonadas de uma civilização dominada pelas relíquias religiosas, símbolos da abstinência da vida. Como existir assim? Não, não me deves explicação alguma. Hoje vejo em teus olhos o cansaço dos anos, o pesar dos sonhos esmagados e os trapos em que vestiste teus ideais... Não, não procuremos mais explicações... Nossos desejos apagaram-se com a negligência dos dias; nossa juventude, nossa revolução, se diluiu em sussurros. Nos perdemos de nós aí: com todos, em tudo, um no outro. N...

Insônia... Insônia de Macondo...

Circos imaginários de mundos distantes; cores e sons que faltam ao meu. Até as musas hoje me abandonam. Negam-me a razão de um desabafo... Nem isso, ao menos, tenho por hoje! Não há razão para escrever: meus sentimentos são inomináveis, como os mais venenosos encantos de tempos perdidos. Não há razão para escrever, mesmo porque não há motivação no existir e como minha existência se confunde com um livro mal-acabado, de terrível enredo e personagens banais, não vejo necessidade de continuar a árdua tarefa de existir 'hupo logou'. Inútil, realmente inútil... lacunando...

Sobre a teoria da falha lacunar

O que há para se escrever sobre a teoria? Nada, de fato, e tudo, em teoria. O nome já a define: do nada veio e para o nada voltará; de lacunas é feita e com defeitos compravada.

O objeto da análise.

Como todo suposta explanação imparcial, cientificista, devemos expor os objetos e os meios de estudo da forma mais clara possível. Bem, para darmos continuidade ao nosso estudo diário, faz-se necessário expor o nosso objeto de estudo de todos os ângulos possíveis. Então, eis o ser por si mesmo:  "Apenas um exemplar de um tempo caduco e inexpressivo, virgem de conceitos e, ao mesmo tempo, prostituído por todos, com todos os objetivos e sem objetivo nenhum. Sou o que me define como ser humano e, simultaneamente, sou nada e não tenho a mínima ideia do que isso seja. Logo, não sei. Mas, me diga: QUEM SABE?  Eu sou de ninguém, possuo apenas a certeza do nada, não dependo de mim nem dos outros. Livre sou, da mesma forma que todos os homens. Crio-me e suicido-me todos os dias, descuido-me e descuido dos outros... Não sigo regras além do meu existir.  Sou assim e assim não continuarei a ser: nunca permanecerei a mesma de ontem, a mesma de amanhã ou aquela do passado... Aprendo, d...

Intróito

Nem ela sabia ao certo o que fazia no mundo, sempre aguardando o despertar de uma era que não tinha começo ou fim ou sequer temporalidade... Sua vida era de uma abstração macabeica, mas piorada, já que a adoravelmente repugnante personagem tinha, ao menos, a doce ilusão da ignorância. Ela não podia contar nem com isso. Sua vida era passo a passo medida, planejada e ignóbil, simplesmente ignóbil.  Ela era, em si mesma, a encarnação da negação da existência. Viver era um simples ato de osmose, como os mais simples seres unicelulares podiam fazer, com a diferença que, o que eles faziam com uma célula, ela fazia com milhares - um verdadeiro desperdício em sua concepção.  Mas, então, por que gastar grego com ouvidos bárbaros?  Simples: se o nada, o vazio e o não existir mereceram páginas e páginas de estudos filosóficos, este exemplar da comunidade humana pode ser exposto como a comprovação de todas as teorias vigentes sobre a inexistência do ser.  Ora, meu caro e inexist...