Diário de Cassandra 09/10/1967

Há tempos nada escrevo pensando em ti. Já te tenho tão incorporado ao meu ser, que respiro, ando, falo e sinto como se tu estivesses em mim. Pedaço de mim, pedaço de minha alma esquecida e encontrada. Amo-te, como amo. Amo tanto que sinto que quando não estou contigo não vivo. Meus dias passam como se nada houvesse em mim, porque estás dentro de mim; como se nada importasse mais do que o pequeno pedaço da minha alma que encontrei em ti e que agora vive em mim. Não, realmente nada mais importa. Isso me assusta. Amar alguém assim, amar alguém como se esse alguém fosse a extensão da sua alma, da sua vida, do seu corpo, é errado. Perco-me em teus olhos, em teus ideais, na tua vida...Antes de você, vida vazia. Com você, vida perdida em ilusões de amor e eternidade. É errado. Perco-me... Não sei mais o que sou, o que fazer de mim: pedaço de alma sem sentido e inútil. Amo-te, mas como queria me amar assim como te amo. Meu amor, minha ilusão é minha morte. Morro cada vez que me tomas no braço. Morro cada vez que descubro mais um pedaço de mim em você. Morro...

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