Para não esquecer
E quando começamos a aprender que estamos, de fato, sós?
Queria me explicar...
Não assim, à distância e por escrito, mas, aparentemente,
esta é a única forma de comunicação que temos.
Surtei. Por isso, me perdoe. A solidão faz isso com as
pessoas.
A culpa não foi sua e sei que isto (eu) já está ficando cansativo.
“Era para ser leve”.
Realmente, era para ser leve, mas esta leveza que você procura
eu não tenho, não agora pelo menos.
Você me perguntou há algum tempo se ELE (o meu inominável)
ainda mexia comigo. Sim, mexe... Muito. Ele era porto, era amigo, era o centro
do mundo que criei... Aparentemente sozinha, mas me criei ao redor dele. Abri
mão de mim, do que era, do que queria ser. Agora, estou reaprendendo a existir
assim.
Me desculpa, não deveria ter feito de você esse bote de
apoio num momento de afogamento. Avisei que era um caos... Você não acreditou.
Há vários tipos de caos, entre eles, o da necessária reconstrução após uma catástrofe.
Minha catástrofe:
Eu o vi, e isso acabou momentaneamente com aquela leveza efêmera
que estava sentindo (pela sua companhia, pelas discussões literárias, pelos
passeios entre cafés e filmes). Foi sem querer, o que aumentou ainda mais o
impacto de ver, entre as mãos dele, mãos que não eram as minhas.
Eu menti pra você... não fez um ano ainda que tudo acabou, contudo dói como uma morte de anos. Talvez o luto de quem eu fui por dezesseis anos só agora tenha me alcançado.
C.
São Paulo, 19 de maio
de 2024.
Comentários
Postar um comentário