Presa em sua agonia diária, comprada por míseros R$ 1.200,00, sua bunda adormecia sob seu peso morto, inerte, redondo e avermelhado. Seu rosto era reflexo da conturbada consciência. Um peixe, realmente um peixe: se debatia fora das águas de sua inutilidade classicista. Nunca fora tão feliz como quando nadava por mares por demais navegados, em sua pseudo intelectualidade, ignorando as imposições realistas. Presa em sua agonia de meia-calça e saltos quinze, seus cachos caiam pela máscara marmórea de sua tez agora manchada pelas imposições mercadológicas da beleza: seus olhos outrora vívidos apesar de exaustos carregam agora o mórbido roxo mal disfarçado pelo pincel capital, seus lábios vermelhos curvados diante do tédio burguês, sua mente morta, fria, gélida. Apenas os óculos relembram o calor de águas profundas e certas. - Ao assinar aquele pedaço de papel, não sabia que minha alma escorria pela tinta da caneta...