Diário de Cassandra 25/10/1967
Meu amado, Notícias de morte alcançam-me a alma. Hoje acordei com passos nebulosos, como se o Sono dos gregos tivesse calçado botas de guerrilha para me acordar, mostrando que o sonho realmente acabara. O negro dos teus olhos pra sempre cerrados, era isso o que queria dizer aquelas botas nebulosas na porta do quarto... Voltei a dormi. Não acreditei. Só podia ser mais uma brincadeira dos deuses da guerra. Impóssível!! Ainda ontem vi você entrando em nosso quarto, com aquele sorriso torto, seus cabelos desgrenhados e a barba há muito crescida. Não, meu amado. Não. Foi apenas uma brincadeira dos deuses. Ainda vives. A chama incandescente de teus belos olhos ainda sorri... Ainda, sei que ainda... Ontem mesmo, em minha cama senti teus braços frios ao redor de mim, trêmulo, trêmulos...