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Mostrando postagens de setembro, 2011

Diário de Cassandra 25/10/1967

Meu amado, Notícias de morte alcançam-me a alma. Hoje acordei com passos nebulosos, como se o Sono dos gregos tivesse calçado botas de guerrilha para me acordar, mostrando que o sonho realmente acabara. O negro dos teus olhos pra sempre cerrados, era isso o que queria dizer aquelas botas nebulosas na porta do quarto... Voltei a dormi. Não acreditei. Só podia ser mais uma brincadeira dos deuses da guerra. Impóssível!! Ainda ontem vi você entrando em nosso quarto, com aquele sorriso torto, seus cabelos desgrenhados e a barba há muito crescida. Não, meu amado. Não. Foi apenas uma brincadeira dos deuses. Ainda vives. A chama incandescente de teus belos olhos ainda sorri... Ainda, sei que ainda... Ontem mesmo, em minha cama senti teus braços frios ao redor de mim, trêmulo, trêmulos...

Diário de Cassandra 09/10/1967

Há tempos nada escrevo pensando em ti. Já te tenho tão incorporado ao meu ser, que respiro, ando, falo e sinto como se tu estivesses em mim. Pedaço de mim, pedaço de minha alma esquecida e encontrada. Amo-te, como amo. Amo tanto que sinto que quando não estou contigo não vivo. Meus dias passam como se nada houvesse em mim, porque estás dentro de mim; como se nada importasse mais do que o pequeno pedaço da minha alma que encontrei em ti e que agora vive em mim. Não, realmente nada mais importa. Isso me assusta. Amar alguém assim, amar alguém como se esse alguém fosse a extensão da sua alma, da sua vida, do seu corpo, é errado. Perco-me em teus olhos, em teus ideais, na tua vida...Antes de você, vida vazia. Com você, vida perdida em ilusões de amor e eternidade. É errado. Perco-me... Não sei mais o que sou, o que fazer de mim: pedaço de alma sem sentido e inútil. Amo-te, mas como queria me amar assim como te amo. Meu amor, minha ilusão é minha morte. Morro cada vez que me tomas no braço....