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Entre o caos

 Entre o caos do meu mundo Acolhe-me, Mnemosine, Leva-me à revivência da pele... Ao arrepio do toque... Leves lábios  Que calam, mas no contato do corpo Revelaram desejos Destruíram muros Escancararam medos... Mãos e laços outros, ferramentas de minha vulnerabilidade, à tona, sem máscaras. E ainda assim... Dores evitáveis vividas. Mnemosine... 

Nesse espaço ínfimo do nada

 Nesse espaço ínfimo do nada, criei um universo com o mínimo que me deu.  Ali, montei um futuro com recortes do passado, de quando apenas eu sabia de você e eu não era nada além do nada, lacuna falhada inexiste, para você.  Nesse universo, misturei momentos de prazer, palavras de carinho (destinadas a outras, talvez) e espaços nos quais tracei pinturas de nós. Habitava, ali, em meus devaneios de plenitude que sei, racionalmente sei, depende apenas de mim. "Hum" presentifica o não dito... Ditinho roseano, porventura, agora, com óculos de vida, você pudesse me ajudar a ver o que meu fabuloso olhar me cega... Nessa fábula da esperança, criei um amor maior que esse mundo, mas menor que eu. Ao fim que mimetiza o começo, salve!

Na escuridão

 Deito-me... A escuridão me envolve... Nela, meus medos me procuram: -Ele não te ama mais, ele nunca te amou...   - e mesmo assim, por um tempo de eternos efêmeros momentos, construímos um universo... -Ficarás sozinha, ninguém te suporta...        - E mesmo nessa solidão, amigos aquecem minha existência... -sua família apenas te tolera...          -e nessa tolerância, treino do amor, acolhem minhas dores nesse reconstruir diário... -morrerás abandonada, tendo apenas seus livros com vocês...           -e nesse momento, vozes daqueles  que por mim passaram e que me formaram estarão comigo, nessa barulhenta solitude... A escuridão me abraça... Flutuando pela névoa do esquecimento, entrego-me ao inevitável, leve...                                                        ...

Sobre domingo

 Coisas da lista que faria com você: - comentar sobre o documentário novo da Guerra Fria e ranzinzar sobre o domínio norteamericano infernal; - ver e comentar sobre o documentário Conspiração Consumista e a ironia de sair de uma grande empresa; - ouvir aquele podcast de política e sorrir a cada comentário azedo sobre o quanto eles são neoliberais demais pra você (apesar de serem de esquerda): - dormir agarrada, enquanto finjo que estou vendo a série do menino-alce que começamos; - cozinhar o almoço com você me fazendo companhia na cozinha... Disso tudo, só me vem a imagem de que a pessoa com quem eu fazia isso não era de fato quem eu conhecia. O final foi igual ao começo, infelizmente igual: eu não te conheço (mais), eu não sei quem você é (agora) e eu não confio (mais) em você. Tristezas de domingo.

Por hoje

 Como é difícil parar de sentir como nós, parar de pensar como nós... Parar de fazer o caminho de volta pra casa pensando em um nós ao chegar. Passar na frente daquela loja e pegar o espetinho de frango empanado para dois. Parar de pensar na quantidade em dois enquanto um nós existia. Parar de esperar a noite cair, após a academia, e uma pizza com Netflix rolar para nós. Parar de pensar no que o nós falaria do dia se hoje: havia comido? me acordaria do cochilo no sofá? dormiria comigo, com meus pés entre suas pernas pra esquentar...? Ainda mantenho diálogos com o você que formava o nós... Quanto tempo demorado pra tornar um eu solitário em um nós? Dezesseis anos? Quanto tempo demorará para esse nós inexistencial se torne um eu? Mas temo que você, embora à revelia, sempre exista nesse eu que está constantemente a se tornar... Falta em mim  ódio para te esquecer. Ah...  Alla Eros.

Reforço

 Em dias assim, datas de fim, seu silêncio reforça a ausência, realça o término e a solidão. Embora suas palavras fossem de presença apesar de tudo, a realidade é de falta. Obrigada por esclarecer aquilo que deveria ter sido evidente desde o início: você nunca esteve, nunca foi, nunca quis...

Melancolia

 Eu sou de tudo E tudo me transforma. Sou da rua, da noite, da vida... Bebo na melancolia da festa A beleza dos solitários. São Paulo, lar hostil, Que me envolve, me impele Epiderme de samba, rock roll e fuligem Na melancolia da vida do "corre", Procuro na loucura dos dias O remédio da falta O preenchimento dos Es p a ços  Que me tornaram viva a carne da dor. Perdi-me ao te perder e, perdendo-me, vou me encontrando em qualquer lugar Na flor que rompeu o asfalto Na rosa exagerada aos seus pés  No choro que de madrugada Após a noite tempestuosa Ainda me acorda. Em    Vãs       Palavras                     De sonhos e dores.

Distraída

Tremores Distraída, busquei na imensidão das redes O motivo de minha solidão  "Amor, amigos, amor" .... Pensei que havia superado Esquecido Amenizado Dor Meu corpo treme Ondas decoram minha pele Desfaço-me em bolhas de ar que da garganta exalam Interjeições  "No more" ... Distraída  Esqueci-me de me manter esquecida de você. "No more, please, no more" ... Na imensidão do meu caos, Cabe a dor do abraço de adeus A ausência da presença amiga Os dedos entrelaçados do dia a dia A ânsia de não mais doer A vontade de vida A necessidade da morte ... Na imensidão do meu caos . . . Só me distrai