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Fim

Sinto um peso no peito, e esse peso molha meus olhos, lava meu rosto, contorce meu ser. Dor Pensar em você, hoje, aumenta o espaço entre meus braços, aumenta a cama, antes tão estreita. Hoje, estranhamento do frio no travesseiro, o seu... Também molhado... De onde vem esse rio, silencioso, tromba d'água que surgiu da ausência. (... Você devia estar aqui, entre os parênteses dos meus braços ...) Você era, nós existíamos... Fantasmas do que fomos. Hoje, só hoje, queria começar do branco completo do esquecimento.  Assim a dor não seria tão grande.

Nós, apenas lacunas e falhas.

Qual o resultado da geração saúde, filha da guerra de egos, neta das grandes guerras? Nossa juventude pseudo intelectual, falhas lacunadas e lacunas falhadas. Nossa juventude não tem mais por que lutar, não tem mais ideais, não tem mais sonhos.  Nossa realidade se mistura com o ideal burguês vendido na concessionária mais próxima; quando não, nós, os jovens, vivemos de lembranças de um passado que não é nosso, vivemos de experiências alheias, órfãos de uma ditadura contra a qual ainda lutamos.  Ídolos mortos, verdades perdidas, mentiras redescobertas...

Final do dia

"...retiro-me da batalha, pois a turba ocupou-me por demais o espírito e agora esse esvai-se em cansaços terrenos; já Hipnos, o de mortais sobrepujador, já pela porta achega-se ao meu ser..."

Epifania às 5h30

Mais um dia. Mais uma noite insone. Míseros 30 versos depois, releituras tardias de meus-eus passados e eis, que entre galináceos gritantes, cantos passarinheiros, passsos madrugadores e abrir de portões sabagantes uma epifania me encontra: "EU MATEI CHE GUEVARA!" Sim... Minha ideologia é idosa, sofre com osteoporose e cliches em bocas ignóbeis... A doce ilusão tardia... Minha ideologia é velha... será que logo... morta?

Diário de Cassandra 25/10/1967

Meu amado, Notícias de morte alcançam-me a alma. Hoje acordei com passos nebulosos, como se o Sono dos gregos tivesse calçado botas de guerrilha para me acordar, mostrando que o sonho realmente acabara. O negro dos teus olhos pra sempre cerrados, era isso o que queria dizer aquelas botas nebulosas na porta do quarto... Voltei a dormi. Não acreditei. Só podia ser mais uma brincadeira dos deuses da guerra. Impóssível!! Ainda ontem vi você entrando em nosso quarto, com aquele sorriso torto, seus cabelos desgrenhados e a barba há muito crescida. Não, meu amado. Não. Foi apenas uma brincadeira dos deuses. Ainda vives. A chama incandescente de teus belos olhos ainda sorri... Ainda, sei que ainda... Ontem mesmo, em minha cama senti teus braços frios ao redor de mim, trêmulo, trêmulos...

Diário de Cassandra 09/10/1967

Há tempos nada escrevo pensando em ti. Já te tenho tão incorporado ao meu ser, que respiro, ando, falo e sinto como se tu estivesses em mim. Pedaço de mim, pedaço de minha alma esquecida e encontrada. Amo-te, como amo. Amo tanto que sinto que quando não estou contigo não vivo. Meus dias passam como se nada houvesse em mim, porque estás dentro de mim; como se nada importasse mais do que o pequeno pedaço da minha alma que encontrei em ti e que agora vive em mim. Não, realmente nada mais importa. Isso me assusta. Amar alguém assim, amar alguém como se esse alguém fosse a extensão da sua alma, da sua vida, do seu corpo, é errado. Perco-me em teus olhos, em teus ideais, na tua vida...Antes de você, vida vazia. Com você, vida perdida em ilusões de amor e eternidade. É errado. Perco-me... Não sei mais o que sou, o que fazer de mim: pedaço de alma sem sentido e inútil. Amo-te, mas como queria me amar assim como te amo. Meu amor, minha ilusão é minha morte. Morro cada vez que me tomas no braço....

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Aos deuses com os lugares comuns das procuras inúteis!!!!!!!!!!!!! Passa dia.... passa!!!!!!

Inutilidade Vital!

- cigarros e política... cigarros, política, baixaria e bebidas. - pois não? - E classic rock! Prometes-me isso que arranco o blazé do dia paulistano de verão - maldito verão - e vou contigo aos bares da noite que nada prometem, nada curam e só devotam o que há de nulo em mim. NULO, NULO e NULO AHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHH!!!! Que tédio de vida... - Nossa! Você está tão poética. Lindo! - A inutilidade da vida humana e a desgraça sempre foram a obra prima dos desocupados 'captalista-intelectualmente' que volvem à poética de vermes. Poética dos vermes! Gostei!Subproduto da falha lacunar: Poética dos vermes, aos vermes e para os vermes. Pseudos, reuni-vos! Aos vermes declararei minha angustia paulistana de verão. - Ok! Eu, hoje, (pragmaticamente) pretendo beber cervejae ouvir música brasileira sem política, sem cigarro e sem nenhum tipo de conceitualização do ego do mundo ou do tempo. Topas? - nunca! Isso é realmente inexistente em meu mundo... - why? - Não há mundo sem polític...

O enterro de Cassandra.

Apenas um caixão, algumas flores e o silêncio. Sua carne exposta, outrora colorida por dores cotidianas, jaz branca e inerte. Sua expressão de dor e angústia continuava alí: marcada nos próprios ossos que estruturavam seu lindo e atormentado rosto. Seus olhos continuavam semicerrados, como se, no último esforço de vida, fizesse força ainda para olhar a desgraça que deixava no mundo ao partir, como se quisesse ir vendo tudo o que largava, só para ter certeza que não deixava nada de bom, nada de puro, nada saudoso, nada que a fizesse ficar, nada... Apenas um mundo de carne, de seres inúteis, de vidas vazias. Falhas, lacunas e carne. Se alguém ali chorava por ela? Não, nenhuma lágrima foi derramada por Cassandra. Nenhuma palavra foi dita.

A última vez.

A última vez que te vi, no café, anos atrás, com cigarros e um ideal partido... Eram anos de liberdade; Eram anos de igualdade; Eram anos de rebeldia. A última vez que te vi, Ali, sentado entre rebeldes domados, cabisbaixo com o sabor das desilusões, com cigarros e olhos lacrimejantes... Eram tempos de liberdade; eram tempos de igualdade; eram anos de sonhos jovens. Mas tua subversão não coube na conhecida canção de burgos palácios. Calada tua voz em rubro peito! Quebrada tua língua por capitais desejos! Eram anos de liberdade, Velada! Eram anos de igualdade, Roubada! Eram anos de sonhos mortos, De jovens de rubros peitos... A última vez que te vi, ainda falavas de Ernesto... Entre rebeldes farrapos, Entre suspiros contidos. A última vez que te vi, no café, ali! Cabisbaixo... Ainda falavas de Ernesto. Em teu peito perfurado por metálico coração, calaram-se tua rebeldia e minha paixão. Foi ali! Por Ernesto... Rubro teu peito, espelhos teus olhos sem luz. "Vem! Traze teus...

O espelho do reflexo invertido: e por fim, Theos saiu do armário! E não foi o fim do mundo...

E assim fez-se Theos!  Aclamado em momentos felizes de desesperos alheios. Veja bem, felizes aos seus ouvidos malditos pela razão seicentista.  Theos é grande em grandes desastres, é herói em cruzes sangrentas, é sangue em turbantes solares... Theos foi altares de flores, túmulo de gozos. Theos foi fruto, flor e folha. Theos é riqueza e luxúria.  Theos na rua, no pé do moleque em campo esverdeado ou de areia - esperança de um Theos maior e mais mundano.   Hoje Theos em sua multidão de seres, já não é! Hoje Theos não é, ele vive em questionamentos interiores de outros, sem vida própria. Sua voz substituída por intérpretes mudos e sua obra des-obrada por recriadores menores.   Theos não existe em si. Sua auto-análise não conclui em nada, pois não há nada a ser analisado. Sua vida é inexistente e imaterial! Seu sangue foi drenado por crentes descrentes...  E assim, sem sangue e carne, sua vida evaporava... Só em alguns escassos momentos, quando algum...

O espelho do reflexo invertido: uma página perdida de Cassandra.

" Minha história começa do nada e ao nada ela retorna. Não há formas viventes. Não há finais felizes. Não há sentimentos ou sentimentalidades: não há amor, ódio, amigos, inimigos ou outras tolices piegas... O que há então? A certeza absoluta do nada e a incerteza arrebatadora das palavras ditas. Há pontos de vistas diferentes. Há destino e partidas - vários caminhos para ir ao mesmo: Thanatos. Na minha vida não há sintagmas cristalizados lacunados, sem sentido algum, como AMor e Morte. Eles são a droga do humano, vício mal-dito alimentado por séculos por sua fraqueza. Eles são a necessitade vital do homem de fuga do verdadeiro Caos que comanda a inútil e devastadora vida humana. QUem vê nestas palavras a boca amarga de um ser biliático, vê a verdade! Minha boca está amarga pelas palavras nunca escutadas que guardam a ruína dos mortais. Poupá-los é inútil. Seu fim é único e imutável. As mesmas palavras que constróem realidades imortais, as destróem. Sou sim amarga e invejosa. Sou i...

O espelho do reflexo invertido: Jornal da Manhã - Estadão de Sophia.

JORNAL DA MANHÃ - ESTADÃO DE SOPHIA. CAOS SE DISSOLVE EM BRASÍLIA E LEVA PRESIDENTE A DECLARAR ESTADO DE SUBLIMAÇÃO NACIONAL. Sophia continuava a abundar leite de cabra em boca de cobra - macunaimando uma existência árida e verdejante em frutos monetários. O mundo ao seu redor continuava alheio às notícias de seu país interior - síndrome macabéica disseminada entre a população mundial por um espirro de Sophia. Motivo do espirro: pó de pirlimpimpim lançado em um atentado contra o prédio da realidade banal. Enquanto Sophia procurava seu anti-alérgico em sua 'Pandora-Box', seu pequeno pacote de esperança caiu e rolou terra à baixo pelo bueiro. Navegando em terras brasilis, este famigerado pacote de esperança enroscado em azulado bico de arara rasgou e seu conteúdo, em contato com ares mais quentes, sofreu uma reação fatal que resultou na formação do Caos Sublime. Por um cuidado especial dos deuses católicos-pagãos, em especial o deus Dollar Corinthiano de todos os Santos, o Caos...

Teoria do dia

Desafortunança!!!! Desafortunança!!!! desafortunança!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!1111 Infortúnios do facebook em retratos inválidos do dia-a-dia.... "vai indo, que eu não vou" - macaquices espúrias.

O espelho do reflexo invertido: Theo

(Em eterna construção: cuidado, sua revelação pode ser o apocalipse!)

O espelho do reflexo invertido: Sophia Pseudo de Melo Rubro-Castro

Presa em sua agonia diária, comprada por míseros R$ 1.200,00, sua bunda adormecia sob seu peso morto, inerte, redondo e avermelhado. Seu rosto era reflexo da conturbada consciência. Um peixe, realmente um peixe: se debatia fora das águas de sua inutilidade classicista. Nunca fora tão feliz como quando nadava por mares por demais navegados, em sua pseudo intelectualidade, ignorando as imposições realistas. Presa em sua agonia de meia-calça e saltos quinze, seus cachos caiam pela máscara marmórea de sua tez agora manchada pelas imposições mercadológicas da beleza: seus olhos outrora vívidos apesar de exaustos carregam agora o mórbido roxo mal disfarçado pelo pincel capital, seus lábios vermelhos curvados diante do tédio burguês, sua mente morta, fria, gélida. Apenas os óculos relembram o calor de águas profundas e certas. - Ao assinar aquele pedaço de papel, não sabia que minha alma escorria pela tinta da caneta...

O espelho do reflexo invertido: en arxhei

"(...) Mas o prazer é sempre útil e o poder é um poder absoluto, sem limites, seja sobre uma mosca, é também uma espécie de gozo. O homem é um déspota por natureza: gosta de causar sofrimento. É a isso que você ama acima de tudo" Dostoievski, O jogador, p. 46. - E assim meu mundo acabou: meus personagens morreram de tédio pela escrita tardia dos seus temores mais profundos. Morreram sufocados pela própria baba, excesso de fluido líquido de suas bestialidades, frutos da sublimação do capi(e)talismo... Assim morreram Sophia, por falta do pão-de-cada-dia; Theo, por acreditar que não existia além do outro e Cassandra, afônica, ressecada, sufocada pelo sangue derramado da sua garganta pelas palavras gritadas no silêncio desértico do apocalipse. Assim morreu meu mundo: sem deus, sabedoria, poesia ou esperança...

from F. Nietzsche.

"Eles escreveram letras de sangue no caminho que seguiam, e sua tolice ensinava que a verdade se prova com sangue. Mas o sangue é o pior testemunho da verdade; o sangue envenena até a doutrina mais pura transformando-a em ilusão e ódio do coração. E se alguém atravessa o fogo pela sua doutrina - o que isso prova! maior coisa, em verdade, é que da própria chama venha a própria doutrina" Assim falou Zaratustra.

Mais uma noite de insonia

Bem.... Eu Comi! Minha melancolia: apenas um solo de piano ao fundo de devaneios sinceros de arrependimentos tardios. Viver sozinha é liberdade sem sentido ou tristeza enriquecedora? Até que ponto a solidão nos faz pensar em nós mesmos em nossa mais pura essência? A falta do terceiro olhar pode nos definir ou destruir nossas existências? Até que ponto 'você' me faz falta?Até que ponto preciso de 'você' na minha vida? Viver sozinha uma existência de misérias é mais triste do que presenciar várias existências sem sentido? o ser humano é naturalmente social por ser egoísta e fraco! Não há verdades.... apenas pro po si ções...

Medo

Tremor profundo e sufocante; desconhecida angústia; melancolia inexplicável. Não sei o que é medo, não sei o que sentir ou do que sentir. Meus medos são crises de afogado em terra seca. Quais são os meus piores pesadelos? Morte? Viver demais? Solidão? Verdade? Quais verdades? Incoerências... Paradoxos de uma realidade questionável e brutal. Pensar em medo, pra mim, é pensar em deus, pensar em uma realidade onírica de um mundo onde nos prendemos no vazio de uma grande mente, um pensamento infinito, maior que o universo, algo que pensa que existimos e pronto: 'fiat lux!' Não um deus cristão barato... Perdido em cada esquina e vendido a custo das esperanças mais caras e do que restar no bolso da miséria. Não esse. Mas um deus com um Cristo ideológico e radical; algo maior que teria criado a própria idéia de deus, de vida, morte e solidão... Seria esse o segredo do universo? Uma mente? Seriamos apenas uma criação fragilizada? Um sonho? eis o meu maior medo: viver uma existência ine...