Poética da falha lacunar

O que é a poética da falha lacunar? Uma mentira, um grande erro ou uma verdade incômoda?
Os homens não têm as imagens que tentam comprar, mal sabem quem realmente são... Não passam de discursos vazios, sem base, sem maiores verdades além daquela refletida no espelho. O maior erro nosso é procurar verdades na suposta existência do amor à dois, tentar se ver no outro e alí se perder... Há muito tempo os homens se perderam nesse caminho e não sabem voltar.
A desculpa dada é o egoísmo: somos egoístas demais para enxergar além dos nossos 'eus' perdidos, e fracos demais para encará-los e compreendê-los. Quão patético! É tudo tão ridículo e insignificante; é como se toda a existência não passasse de uma adolescência eterna e desgovernada - não temos controle sobre ela.
Os homens precisam se organizar, soltarem-se uns dos outros, esquecerem de si próprios e se concentrarem na existência comum, nas verdades que todos os seres compartilham como seres sociais. É inaceitável o modo como os homens se prendem a coisas efêmeras e quão difícil é para deixá-las de lado: o amor à dois é tão egoísta quanto corrupto, quando amálgama de orgulhos e preconceitos. O amor é um grande erro, uma grande falha, quando se torna muleta existencial do ser, uma forma de acomodação da busca da verdadeira identidade individual. Esse amor é a poética da falha lacunar: irremediável, inaceitável e irresistível.

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