Antíteses
Eu te odeio,
com todos os nervos existentes em meu corpo,
eu te odeio.
Por todas as mentiras contadas,
Por todos os anos perdidos,
Pelas mágoas acumuladas,
eu te odeio.
Por aumentar minhas inseguranças,
Por destruir quem eu era,
Por me afastar de quem eu amava e do que eu amava,
eu te odeio.
Pelo abandono,
Pela deslealdade,
Pela traição,
eu te odeio.
Por toda dor que sinto
- como socos contínuos no estômago-
quando, por distração, lembro o fim,
o engano
e os engodos,
eu te odeio.
Por me pôr em risco,
Por me fazer de idiota,
Por acabar com minha autoestima,
eu te odeio.
Pelo seu gênero
- desculpa frágil e falha para sua canalhice -,
eu te odeio.
Pela manipulação barata,
eu te odeio.
Pela desculpa esfarrapada,
Eu te odeio.
Por todos os sorrisos que não são comigo,
Por todos os planos desfeitos,
Por todos os sonhos perdidos,
eu te odeio.
Por me fazer desejar que
cinco cavalos atados
a cada membro do seu corpo
debandem, selvagens,
a esmo,
em sangue marcando o chão por onde passam,
por ISSO, eu te odeio.
Por imaginar mil formas diferentes de testar
a concretização de sua ida com Virgílio
aos ínferos círculos,
eu te odeio.
Por me fazer testar
todo o feminismo estudado
- barreira única que impede a perda
do réu primário -
em diminuta e iludida pessoa,
eu te odeio.
Por me fazer contar
os dezesseis anos
- purgados aqui dezesseis vezes-,
jogados ao desdém,
eu te odeio.
Eu te odeio
pela indiferença
- antítese do amor.
Enquanto em mim,
só ânsia pelo dia em que,
por você, não haja
mais nada.
mim L u
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